Amigos de Adriana Villela

25/12/2010

Um presente! O perigo da “história única” (Chimamanda Adichie)

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 18:46

Este vídeo é um presente para todos.

Perceba o admirável lirismo e a surpreendente habilidade com que a escritora Chimamanda Adichie nos conta sua história. Isso, enquanto nos ensina a olhar de novo para tudo aquilo que acreditamos conhecer, quando talvez apenas estereotipamos o que ainda não chegamos a conhecer.

Reserve 20′ de seu precioso tempo e desfrute dessa encantadora narrativa de vida.

http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

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04/12/2010

AS LÁGRIMAS DE POTYRA

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 1:03

(recriada por Mitsue Marissawa)

Muito antes dos brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existia por essas partes do Brasil, muitas tribos indígenas. Vivendo em paz, ou em guerra, conforme suas crenças e hábitos.

Numa dessas tribos, que por muito tempo viveu em harmonia com suas tribos vizinhas, viviam: Potyra, menina contemplada por Tupã, com formosura das flores!… E também, Itagiba, jovem forte, valente!…

Era costume na tribo, que as mulheres se casassem muito cedo e os homens, assim que se tornassem guerreiros.

Quando Potyra chegou na idade do casamento, Itagiba assumira sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam muito e tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens também quisessem o amor da indiazinha, nenhum possuía condição para as bodas. De modo que não houve desculpas, Itagiba e Potyra se casaram, em grande festa.

Corria o tempo tranqüilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os breves períodos de separação, quando Itagiba saía à caça, com os outros homens, tornava os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro.

Até que um dia, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido a abundante caça que ali havia. Itagiba teve que partir com os outros para a guerra.

Potyra ficou contemplando as canoas descendo o rio, levando sua gente em armas. Não chorou feitas as outras mulheres. Talvez porque nunca tivesse visto, ou vivido o que se sucede à uma guerra. Toda a tarde ia à beira do rui, numa espera paciente e calma. Alheia à algazarra constante das crianças, ou aos afazeres das outras mulheres, Potyra ficava atenta. Querendo ouvir uma batida de remo na água, ou ver despontar na curva do rio, uma canoa, trazendo seu amado de volta.

Só voltava à taba, ao anoitecer, depois de olhar uma última vez, tentando distinguir o perfil de Itagiba no entardecer.

Foram muitas tardes iguais, com a flor da saudade aumentando pouco a pouco.

Até que o canto da Araponga ressoou na floresta. Desta vez, não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagiba, não voltaria. Pois tinha morrido na batalha.

Pela primeira vez, Potyra chorou! E, sem dizer palavra, como não haveria de dizer nunca mais, ficou ali, à beira do rio, soluçando tristemente.

As lágrimas que iam descendo do seu rosto sem cessar iam se tornando sólidas e brilhantes no ar. Antes de submergirem e tocarem o cascalho do fundo…

Dizem, que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes. Para perpetuar o amor daqueles dois.

“lenda indígena”

(livro: Ana Paula/ Biblioteca CEPAE)

19/10/2010

A importância de ver as estrelas

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 2:09
AGUALUSA, José Eduardo, “Manual Prático de Levitação: (contos)”. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005

(…)

“Fortunato partiu para  Londres decidido a mostrar ao mundo a competência, o rigor e honestidade dos quadros angolanos. Logo na primeira noite recusou o convite de um grupo de colegas portugueses, que insistiam em o levar a um espectáculo de travestis, (“com gajos tão femininos que ao pé  deles as mulheres parecem imitações”) e ficou no quarto a estudar os dossiers. Deitou-se cedo, inteiramente nu, e adormeceu. A meio da noite levantou-se para urinar. Desde criança que Fortunato se levanta de noite e vai confusamente, sem interromper o sono, fazer o seu xixi. Naquela noite ele fez xixi sem problemas, mas ao regressar confundiu a porta com a da casa de banho, saiu para o corredor, sempre sonambulando, tropeçou num largo sofá, meio afundado na penumbra, e estendeu-se nele. Acordou de madrugada, trêmulo de frio, sem saber onde estava. Quando finalmente compreendeu o que lhe tinha acontecido levantou-se num salto, lançou-se em direcção à porta do quarto… E encontrou-a fechada!

– Pensei em suicidar-me, mas não tinha como. Ali estava eu, às seis da manhã, um preto nu no corredor de um dos melhores hotéis de Londres.

Afastada a hipótese de suicídio, Fortunato lembrou-se da avó. Todos os homens que choraram durante a infância, no regaço da avó, lembram-se dela na situações de maior desespero.

A avó de Fortunato nasceu Calomboloca e viu pela primeira vez a luz elétrica, já adulta, quando o marido a levou para Luanda. Ao contrário do que seria de esperar não ficou encantada. Na opinião da velha senhora o esplendor elétrico das grandes cidades, ao ocultar o brilho das estrelas, prejudicou a humanidade. Ela acha que, tendo deixado de ver as estrelas – tendo deixado de se confrontar, todas as noites, com o ilimitado, o infinito, a fantástica imensidão do universo -, os homens perderam a humildade, e com a humildade perderam a razão. O desvario do mundo está, na opinião dela, diretamente ligado ao êxodo rural e à multiplicação vertiginosa das grandes cidades.

Fortunato, nu, encostado à porta do quarto, teve algum tempo para meditar na filosofia da avó. Achou que aquilo fazia sentido:

– Compreendi de repente a tremenda desimportância da minha nudez.

Entrou no elevador, desceu até à recepção, e pediu que lhe abrissem a porta do quarto, pois tinha-a fechado inadvertidamente. O recepcionista, um irlandês muito ruivo, muito irlandês, olhou para ele e o que viu foi um homem íntegro. Estava nu? O recepcionista não saberia dizer. Era uma diginidade aquele homem. Procurou a chave e foi abrir-lhe a porta.”[1]

 


 

[1] AGUALUSA, José Eduardo, “Manual Prático de Levitação: (contos)”. Rio de Janeiro: Gryphus, 2005 – pp.131-133

08/09/2010

Soraya Terra Coury (Vidya)- amiga da Adriana

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 23:48

Conheço Adriana há muitos anos, desde a época que ela produzia a agenda Antares quando ela me convidou para colaborar com alguns textos. Desde então nos encontramos em grupos de Autoconhecimento e partilhamos de saberes tradicionais que ampliam a consciência. A lembrança mais recente que tenho dela, foi no Restaurante Flor de Lotus, onde ela me contou entusiasmada que estava fazendo um curso no Paraná organizado pelo biólogo Maturama, que aborda uma Biologia Cultural e uma Biologia do Amor. Assim vejo Adriana: uma mulher forte, com uma inquietude típica dos buscadores, sensível, amorosa, muito criativa e autêntica – uma visão diametralmente oposta à acusação feita a ela como autora de um crime tão brutal. Acompanhar esta tragédia e esta injustiça me deixou perplexa, mas ao mesmo tempo ao ver agora este blog criado pelos seus amigos, me deu uma esperança de que no meio da aridez de uma parte da sociedade que alimenta a paranóia, o medo, o preconceito com o diferente e a projeção da sombra, existe também um solo fértil de outra sociedade que nutre a confiança num mundo melhor – sendo o amor e a união seu principal alicerce. Adriana, confio na sua inocência e na sua força.
Fique em paz e que você com sua compreensão dos mistérios da vida use mais este desafio como trampolim para outro salto quântico de consciência.
Abraço carinhoso
Soraya Terra Coury (Vidya)- amiga da Adriana

02/09/2010

Carlos de Paula – Amigo de Adriana

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 13:43

Quero ver vc livre Adriana! Imagino a sua dor e da sua familia pela perda dos teus pais, pelos julgamentos, desconfianças, intrigas, midia..enfim! mas pergunto, e quem fez isso como se sente?? Numa enorme prisão certamente!
Com Amor !
carlos

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