Amigos de Adriana Villela

04/12/2010

AS LÁGRIMAS DE POTYRA

Filed under: Uncategorized — by amigosdeadrianavillela @ 1:03

(recriada por Mitsue Marissawa)

Muito antes dos brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existia por essas partes do Brasil, muitas tribos indígenas. Vivendo em paz, ou em guerra, conforme suas crenças e hábitos.

Numa dessas tribos, que por muito tempo viveu em harmonia com suas tribos vizinhas, viviam: Potyra, menina contemplada por Tupã, com formosura das flores!… E também, Itagiba, jovem forte, valente!…

Era costume na tribo, que as mulheres se casassem muito cedo e os homens, assim que se tornassem guerreiros.

Quando Potyra chegou na idade do casamento, Itagiba assumira sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam muito e tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens também quisessem o amor da indiazinha, nenhum possuía condição para as bodas. De modo que não houve desculpas, Itagiba e Potyra se casaram, em grande festa.

Corria o tempo tranqüilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os breves períodos de separação, quando Itagiba saía à caça, com os outros homens, tornava os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro.

Até que um dia, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido a abundante caça que ali havia. Itagiba teve que partir com os outros para a guerra.

Potyra ficou contemplando as canoas descendo o rio, levando sua gente em armas. Não chorou feitas as outras mulheres. Talvez porque nunca tivesse visto, ou vivido o que se sucede à uma guerra. Toda a tarde ia à beira do rui, numa espera paciente e calma. Alheia à algazarra constante das crianças, ou aos afazeres das outras mulheres, Potyra ficava atenta. Querendo ouvir uma batida de remo na água, ou ver despontar na curva do rio, uma canoa, trazendo seu amado de volta.

Só voltava à taba, ao anoitecer, depois de olhar uma última vez, tentando distinguir o perfil de Itagiba no entardecer.

Foram muitas tardes iguais, com a flor da saudade aumentando pouco a pouco.

Até que o canto da Araponga ressoou na floresta. Desta vez, não para anunciar a chuva, mas para prenunciar que Itagiba, não voltaria. Pois tinha morrido na batalha.

Pela primeira vez, Potyra chorou! E, sem dizer palavra, como não haveria de dizer nunca mais, ficou ali, à beira do rio, soluçando tristemente.

As lágrimas que iam descendo do seu rosto sem cessar iam se tornando sólidas e brilhantes no ar. Antes de submergirem e tocarem o cascalho do fundo…

Dizem, que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes. Para perpetuar o amor daqueles dois.

“lenda indígena”

(livro: Ana Paula/ Biblioteca CEPAE)

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