Amigos de Adriana Villela

24/11/2010

O Suplício de Adriana Villela – por Pedro Gordilho, amigo da família Villela

Filed under: Defesa,Depoimentos — by amigosdeadrianavillela @ 4:08

Agentes policiais foram a Montalvânia com o diretor da Polícia Civil e trouxeram o assassino confesso do pranteado e inesquecível casal Maria e José Guilherme Villela e de sua governanta Francisca.

Indagado quanto à despropositada participação de Adriana Villela, respondeu o assassino, no Auto de Qualificação e Interrogatório realizado na 8ª Delegacia de Policia — SIA: “O interrogando conhece Adriana Villela, filha do sr. José Guilherme, mas não tinha a menor intimidade com ela ou com os demais familiares, mas, em algumas oportunidades, chegou a conversar com o filho de nome Augusto Villela. Apesar disso, não guarda nenhuma mágoa com relação àqueles. Esse crime foi praticado somente pelo interrogando e por Paulinho, os quais não receberam o auxílio de ninguém, quer seja antes ou depois de praticá-lo. Adriana Villela não teve nenhuma participação nas condutas praticadas pelo interrogando e Paulinho. Não há mandantes no crime que o interrogando e Paulinho praticaram”.

Desnorteados com o sucesso das investigações — formalmente autorizados, ou não, apresentaram o(s) assassino(s) e o quadro de horrores perpetrados — agentes policiais que antes haviam desprezado a atual linha investigatória bem-sucedida, sem uma nova reflexão, sem um momento de homenagem à integridade do ser humano, insistem: Adriana continua indiciada e denunciada porque ela seria culpada.

Provas? Indícios implausíveis, uma carta da saudosa Maria Villela dirigida à filha contendo advertências e dissídios puramente conceituais, uma (desautorizada pela ciência) hipotética datação de digitais, uma melodramática cronometragem dos impulsos do celular de Adriana. Só isso.

Não se fez uma detida análise dos eventos que antecederam e culminaram com a prisão do(s) assassino (s), não se cotejaram dados, os velhos com os novos, não se confrontaram pessoas.

Apenas a fogueira das vaidades e a repulsiva cantilena: Adriana é culpada.

Ora, qualquer pessoa que não se oponha à razão e que se detenha diante do quadro presente haverá de estranhar essa bizarra insistência, que sugere, mais do que uma atividade pública que deve ter o timbre de impessoalidade, um interesse pessoal nos procedimentos contra Adriana. Mas não se chega à verdade pela injustiça.

O Estado tem, no caso, um dever a cumprir e esse dever é o de apontar, comprovadamente, culpados, para depois puni-los. E parte disso o Estado já fez, apresentando o assassino confesso. Parece odioso que agentes policiais continuem perseguindo implacavelmente Adriana, buscando dados suspeitos, novas confissões que geram desconfiança, fundados em que pelo organograma do sistema policial a eles cabem exclusivamente os procedimentos de investigação. Temos o(s) assassino(s). Dane-se o organograma. Summum jus, summa injuria.

Vivemos sob a tutela do Estado Democrático de Direito. E o Estado Democrático de Direito não pode prescindir da legitimidade e da licitude na atuação dos agentes e órgãos do Estado. Isto porque agentes e órgãos de Estado é que lhe conferirão juridicidade plena. Eles constituem a garantia do cidadão. E os cidadãos se sentem desprotegidos e desapontados diante desses movimentos erráticos e oponentes dos agentes policiais do Distrito Federal. É estarrecedor até mesmo para o senso comum.

* Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral e amigo da família Villela

Artigo publicado no Correio Braziliense, 23/11/2010, Caderno Cidades, p27

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